“O RESPEITO É NÃO TIRAR O PÉ”: RENATO COIMBRA EXPLICA GOLEADA DO VILA REAL POR 21-0


O treinador do Vila Real, Renato Coimbra, considera que a criação de duas divisões na Associação de Futebol de Vila Real poderia tornar a competição mais equilibrada. Em entrevista ao programa '
Entrevista Com', o técnico abordou a proposta a propósito da vitória por 21-0 frente ao GDC Salto, um resultado que classificou como invulgar e pouco benéfico para a imagem competitiva da associação. “Este tipo de resultados tira o foco e o real valor da Associação de Vila Real”, afirmou. Apesar da dimensão do marcador, Coimbra rejeitou a ideia de que a equipa devesse abrandar. Para o treinador, manter a intensidade foi uma forma de respeitar o adversário: “Na minha opinião, respeito é não abrandar, é não tirar o pé”, reforçou. O técnico reconheceu, contudo, que uma goleada desta dimensão deixa pouco a retirar do ponto de vista desportivo. “Quando acontecem este tipo de jogos, aquilo que vamos retirar é pouco”, disse, acrescentando que o resultado pode dar uma “falsa sensação de prazer”. Também deixou uma palavra de apreço aos jogadores do GDC Salto, por terem mantido a compostura apesar da pesada derrota.

Na análise ao formato da prova, Renato Coimbra defendeu que duas divisões ajudariam a preservar a competitividade ao longo da época. Na sua leitura, a ausência de descidas pode reduzir os objetivos de algumas equipas a meio da tabela e tornar mais difícil manter os jogadores motivados. “Uma equipa que anda em 10.º ou uma equipa que anda em 14.º e mesmo uma equipa que esteja em último, não vai descer de divisão”, observou. Para o treinador, isso pode afetar o nível competitivo e o trabalho semanal.
A conversa passou também pela primeira época de Renato Coimbra como treinador principal, ao serviço do Vila Pouca de Aguiar. Depois de um plantel profundamente renovado — ficaram, segundo o técnico, apenas quatro ou cinco jogadores da época anterior — a equipa cresceu ao longo da temporada e conquistou a Taça da Associação de Futebol de Vila Real. Renato Coimbra atribuiu esse percurso à união do grupo e ao trabalho diário: “Os títulos têm que ser, primeiramente, um reflexo daquilo que é o nosso trabalho”, atestou o técnico.
Aos 29 anos, o treinador diz que a vontade de seguir a carreira surgiu cedo. “Desde os meus doze, treze anos dizia que queria ser treinador de futebol” Sem se considerar especialmente dotado como jogador, interessou-se pela componente tática e pelo treino. Sobre a liderança de atletas mais experientes, afirmou que procura demonstrar competência e que a autoridade se constrói “no trabalho” e no dia a dia.
No Vila Real, clube que descreveu como histórico, Renato Coimbra reconhece uma responsabilidade acrescida e uma exigência que considera positiva. A equipa iniciou a época com um empate e, à data da entrevista, seguia numa sequência de três vitórias seguidas. O objetivo, explicou, é evoluir como coletivo e lutar pelos primeiros lugares, sem perder de vista a regularidade: “Aquele que errar menos vezes é aquele que vai sair vitorioso”.
O treinador identificou como traços da sua ideia de jogo a pressão alta, as linhas subidas e uma equipa “agressiva” e sólida. Sobre o futuro, preferiu concentrar-se na evolução individual: “O meu objetivo é olhar para mim e dizer: ‘Estou melhor’” No final, deixou uma mensagem aos adeptos do Vila Real: “Que acreditem em nós, que nos apoiem. Nós vamos fazer tudo para vos orgulhar”, concluiu o técnico.



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